Entenda a Decisão da Justiça Federal
A Justiça Federal, em uma importante resolução, determinou que a prefeitura de Belém, além do governo do estado do Pará e a União, implementem novas diretrizes para garantir direitos aos cidadãos que se encontram em situação de vulnerabilidade na rua. Esta decisão surge em resposta a uma ação proposta pelo Ministério Público Federal (MPF), a Defensoria Pública da União (DPU) e outras entidades que visam proteger os direitos dessa população. A corte também impôs uma multa significativa à prefeitura devido à falha em cumprir uma ordem anterior relacionada à avaliação da situação desses cidadãos.
Multa à Prefeitura: O Que Isso Significa?
Como parte do resultado judicial, a prefeitura local foi penalizada em R$ 50 mil por não ter realizado o diagnóstico da população em situação de rua conforme solicitado anteriormente. Em novembro de 2025, havia sido determinada uma avaliação que deveria servir como base para o planejamento de políticas públicas, mas a administração municipal optou por aguardar os dados do próximo Censo, que acontecerá em julho de 2028. A Justiça reitera que esse levantamento municipal é imprescindível e não pode ser substituído pelo censo nacional.
Diagnóstico da População em Situação de Rua
Com a determinação judicial, a prefeitura de Belém tem até o dia 1º de dezembro para apresentar um projeto sobre o diagnóstico da população em situação de rua, bem como planos para expandir os serviços de acolhimento. Esta pesquisa deve ser realizada nos próximos dois meses após a entrega do projeto, sendo que os resultados finais devem ser apresentados até o dia 24 de fevereiro de 2027. Além disso, a União e o estado do Pará deverão colaborar no apoio técnico e financiamento do estudo, com a possibilidade de novas multas diárias se as etapas não forem cumpridas.

Protocolo de Saúde: O Que Deve Ser Implementado
A Justiça Federal também criticou a falta de um protocolo substancial de saúde para atender a população em situação de rua. Tanto o município quanto o estado não apresentaram o protocolo dentro do prazo estipulado, resultando em multas diárias de R$ 1 mil até que a situação seja regularizada. Se a inação continuar, uma nova multa de R$ 2 mil por dia será aplicada.
Limpeza Urbana: Novas Regras Estabelecidas
Um aspecto crucial da decisão diz respeito às práticas de limpeza urbana. A Justiça ordenou que a prefeitura adote métodos mais respeitosos e humanizados para mantimentos limpos sem desalojar os cidadãos em situação de rua ou remover seus pertences. As novas regras determinam que:
- Limpeza de Rotina: Deve ser realizada por agentes de limpeza sem a presença de forças policiais. Todas as operações de limpeza não podem excluir indivíduos nem tocar em seus objetos pessoais.
- Operações Extraordinárias: Se forem necessárias ações fora do cronograma regular, as pessoas afetadas devem ser notificadas com pelo menos cinco dias de antecedência, exceto em situações de emergência.
- Informação Pública: Um calendário de limpeza deve ser divulgado em locais de grande circulação da população em situação de rua, garantindo que todos estejam cientes das operações programadas.
Garantia de Atendimento pelo Samu
A Justiça também vai assegurar que o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) não discrimine a população em situação de rua ao prestarem socorro. Um protocolo precisa ser criado para assegurar que a situação de rua não seja usada como justificativa para a recusa de atendimento. Qualquer negativa de socorro deve ser documentada e justificada pelas equipes de emergência.
A Importância do Apoio da União e do Estado
Além das responsabilidades do município, a decisão judicial sublinha a importância do envolvimento da União e do estado do Pará nessas ações. Eles devem fornecer suporte técnico e financeiro para que as iniciativas sejam eficazes e sustentáveis. O não cumprimento dos acordos firmados em termos de colaboração pode resultar em penalizações adicionais.
Direitos dos Cidadãos em Situação de Rua
A decisão judicial reforça a necessidade de proteger os direitos dos cidadãos que vivem em situação de rua. Pode-se observar que garantir dignidade, saúde e segurança a essa população é fundamental, e a falta de ação por parte das autoridades não deve ser tolerada.
Ações de Acolhimento de Pessoas Vulneráveis
A Justiça ainda delimitou que as vagas em comunidades terapêuticas não serão contabilizadas para as metas de acolhimento da prefeitura. Os serviços de acolhimento devem seguir normas que garantam que a adesão dessas pessoas seja voluntária e documentada formalmente.
Próximos Passos e Inspeções Previstas
Para avaliar a implementação das medidas, uma inspeção judicial está programada para ocorrer no dia 18 de novembro de 2026, em várias instalações que atendem a população em situação de rua. Uma audiência pública ocorrerá em 27 de janeiro de 2027, onde representantes do governo apresentarão os planos de ação, e a comunidade terá a oportunidade de participar e oferecer feedback.


