O que é o data center de IA?
O data center destinado à inteligência artificial (IA) representa uma instalação avançada projetada para hospedagem, processamento e armazenamento de dados em grande escala. Este tipo de infraestrutura é essencial para suportar as crescentes demandas computacionais associadas a algoritmos complexos de IA e processamento de big data. Em Belém, o projeto BEL1 se destaca como uma das iniciativas pioneiras desse setor na região amazônica.
Investimento significativo e suas implicações
O data center BEL1 demandará um investimento inicial de R$ 250 milhões, refletindo a magnitude do projeto. A construção e operação dessa instalação não apenas visam atender à demanda local de serviços em IA, mas também se inserem em um contexto de expansão internacional, conectando-se com centros em cidades como Fortaleza, Brasília e até mesmo fora do Brasil, como Bogotá e Santiago. Esse investimento tem potencial para transformar a região em um polo tecnológico, o que poderá atrair novas empresas e fomentar um ecossistema de inovação na Amazônia.
A aquisição pela I Squared Capital
Recentemente, a Elea Data Centers, responsável pelo BEL1, foi adquirida pela I Squared Capital, um fundo de investimento com sede em Miami. Esta aquisição, realizada em 2026, marca uma etapa significativa no controle da infraestrutura tecnológica no Brasil. A I Squared controla investimentos significativos em infraestrutura em diferentes países, o que indica que o BEL1 se alinhará a uma rede ampla de serviços de IA sob a gestão deste fundo.

Impactos sociais e ambientais do novo projeto
O projeto BEL1 suscita preocupações referentes a seus impactos sociais e ambientais. As comunidades locais começaram a levantar questionamentos sobre os efeitos que a instalação poderá ter sobre o meio ambiente e a sociedade em geral. Entidades democráticas e ativistas solicitam clareza e mais informações sobre como a operação do data center irá afetar a região, especialmente considerando questões como consumo de energia e impacto sobre a rede elétrica local. Estudos de impacto socioambiental, embora sejam exigidos, ainda não foram suficientemente divulgados, gerando descontentamento entre os moradores.
Desafios e preocupações da comunidade local
A comunidade de Belém expressa suas inquietações através de movimentos e pedidos formais ao Ministério Público do Estado do Pará. A deputada estadual Lívia Duarte (PSOL) fez uma abordagem formal solicitando a investigação da viabilidade e dos possíveis transtornos que o projeto BEL1 poderá causar. Um dos principais medos é que a instalação poderá consumir uma quantidade significativa de energia, o que pode afetar a tarifa elétrica para os habitantes da região, além de possíveis problemas de infraestrutura.
A parceria com Axia Energia
A Axia Energia, antiga Eletrobras, será a responsável pelo fornecimento de energia para o BEL1. Essa parceria é significativa, pois a Axia, além de ser a fornecedora, também está ligada a um contexto de privatização. Assim, qualquer projeto deve considerar o histórico da empresa com relação aos direitos e interesses das comunidades e ao impacto ambiental de suas operações. Isso levanta dúvidas sobre a adequação e sustentabilidade do fornecimento de energia necessário para manter a operação do data center em longas escalas.
Expansão e capacidade do BEL1
Inicialmente, o BEL1 terá uma capacidade de operação de 7,5 MW, com potencial de expansão até 100 MW. Essa escalabilidade é um dos pontos que pode tornar o data center atrativo para empresas que buscam um local para processar grandes volumes de dados. Entretanto, a expansão não deve ser realizada sem um planejamento cuidadoso e a realização de estudos que avaliem as consequências dessa ampliação para a infraestrutura local e o uso dos recursos naturais da região.
Controle ianque sobre a infraestrutura nacional
A aquisição da Elea Data Centers pela I Squared Capital representa um fenômeno mais amplo sobre a influência estrangeira na infraestrutura tecnológica brasileira. Este controle por um fundo norte-americano levanta questões sobre a soberania nacional, principalmente no que tange à gestão de informações e dados sensíveis. A operadora do BEL1 se inscreve em uma tendência de domínio de mercados emergentes por capitais internacionais, o que pode ameaçar a autonomia local em relação à tecnologia e à preservação dos recursos naturais.
Transparência e estudos ambientais necessários
A falta de transparência em torno do projeto e os estudos ainda não divulgados causam angústia em diversos segmentos da sociedade. É fundamental que haja um acesso claro aos dados sobre o impacto ambiental e social do data center. As comunidades em torno de Belém devem ter acesso a informações abrangentes que as ajudem a entender o que a instalação implica e suas consequências a longo prazo. Essa transparência é crucial para garantir que a população local possa participar dos processos decisórios e reivindicar seus direitos.
O futuro da tecnologia na Amazônia
O futuro da tecnologia na Amazônia, representado por iniciativas como o BEL1, pode abrir portas para um desenvolvimento mais avançado. Entretanto, é igualmente importante que essa evolução não ocorra em detrimento das demandas sociais e ambientais da população local. A construção de uma infraestrutura de IA deve integrar preocupações sobre a preservação ambiental e a inclusão social no planejamento estratégico. O equilíbrio entre tecnologia e progresso deve ser buscado, sempre respeitando os direitos e a voz das comunidades diretamente afetadas.


